Quantos medrosos são necessários para uma ideia genial morrer?

A uppOut nasceu há cerca de dois anos e meio e, para surpresa dos mais próximos seguidores e em contraste com a realidade do mundo das start ups e panorama do mundo empresarial em geral, deu lucro logo no primeiro. Hoje, a meio do terceiro ano de vida e com recursos próprios, encontram-se já lançados num processo de criação e investimento em novas empresas.

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“Start ups”, aliás, que é um termo do qual Ricardo Paiágua, cofundador da agência criativa e vítima desta entrevista, se tenta afastar. Diz ele, em jeito de piada que acredita carregar muita verdade, que “uma start up é a do senhor que criou o seu pequeno mercado. Todos os dias começa a trabalhar antes das 6 da manhã e só fecha às 23, 24 horas. É por uma questão de respeito pelo sacrifício deste tipo de pessoas e projetos, que não gosto de vincular esse termo à uppOut.”

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Este ex-diretor de e-commerce da Worten, encontrou na uppOut e no seu principal projeto irmão – a Powerupp – um caminho para o seu sonho de deixar um legado e escrever uma história enquanto tenta mudar o mundo para melhor. Mas, como qualquer negócio, nada cresce sem clientes e é sobre a inércia associada à colaboração com empresas (também pequenas, mas principalmente) grandes que se debruça este artigo.

Ricardo parte da conversa dos termos precisamente para colocar em cima da mesa como um sintoma de um problema maior. Segundo ele, vivemos numa era dos termos e dos cargos, que a febre de exposição e necessidade de validação exterior tão própria das redes sociais jovens e num contexto pessoal, são sentimentos cada vez mais presentes em contexto profissional.

“Cargos como ‘Happiness Director’ ou ‘Brand Empower’ não me assustam por serem incompreensíveis nas suas funções, aliás, na uppOut brincamos o pouco com o mesmo. O que me assusta realmente é que se tornem motivo exposição e orgulho quando, em trabalho prático, palpável e criador de mudança, nada se vê dessas mesmas pessoas.”

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O criativo e gestor da uppOut mostra-se até um pouco indignado pela recorrência com que vê isto acontecer em empresas grandes e conclui que

“isto não é método, as empresas não precisam de responsáveis de ‘Hapiness’. Cada área tem de ter o seu gestor a comandar esse barco e fazê-lo avançar tomando decisões. Cada membro de uma unidade que opina e está presente mas não é capaz de pôr mãos à obra ou tomar uma decisão, é uma ‘gordura’. As empresas não podem apostar em ‘pensadores com cargos bonitos’ que passam mais tempo em eventos e viagens do que a trabalhar no seu escritório. Têm de investir em sistemas de informação e na formação das pessoas que recebem o cliente. Têm de ir ao cerne da questão e aumentar vendas – tornar as empresas mais práticas, reduzindo a gordura e aumentando a agilidade.”

Poucos minutos de conversa são suficientes para perceber que Ricardo é alguém que encontra as suas grandes inspirações em pessoas que passaram pela sua vida e com quem contactou de perto. Dá-se por feliz por sempre ter tido grandes exemplos à sua volta da mais pura integridade profissional e pessoal. Pessoas que dedicavam o seu dia a trabalhar em prol da mudança e do crescimento, porque é dessa forma que se dá um futuro a quem as acompanha e trilhou aquele caminho a seu lado.

“Há momentos que são marcantes pela sua simplicidade e nunca mais me esqueço das palavras de um grande senhor que, no momento certo, apenas me disse: ‘Ricardo, estamos aqui para trabalhar. E isso dá trabalho.’ Cada vez mais me apercebo da sensatez destas palavras.”

Na opinião de Ricardo, estamos a viver épocas de grande superficialidade e de valor falsificado.

“As pessoas são pouco e fazem-se parecer muito. Trabalham mais em prol do parecer bem do que do fazer bem. E mais do que isto, há uma grande inércia em relação ao risco. As start ups existem porque as empresas não arriscam – porque quem lidera áreas de negócio tem medo de o fazer. Parece que têm medo de ficar mal vistos. Eu arrisco e tenho de arriscar todos os dias, porque sem risco não há mudança e não há crescimento.”

Ricardo abre aqui um novo tema de conversa no qual tem muita experiência pois, enquanto comercial e “cara” da uppOut, vai a grande parte das reuniões e conversas com clientes e potenciais clientes. É nestes momentos que encontra mais um sintoma desta letargia empresarial que tanto refere.

“São incontáveis as pessoas e reuniões a que já fui, depois de apresentar algo ‘disruptivo’ como tanto se pede hoje em dia. Independentemente das reações positivas de quem nos recebe, depois do superior, depois do superior do superior. Já vamos em 5 reuniões e ainda não se passou do papel. E raramente acaba por se passar. Vai se mantendo o contacto, vão se tendo as reuniões de catch up, mas o projeto acaba por morrer e ficar por ali pelo simples facto de ninguém ter coragem de tomar uma decisão.”

E será que isso é só medo do falhanço, ou há outras razões para tanto desânimo? Ricardo explicou-nos que sim.

“No que toca a grandes empresas, principalmente, há sempre os fatores egos e quintas… Sim, porque para tomar uma decisão têm de ‘agradar às quinta do lado’ e fazer esse ‘favorzinho’. Mas isso é algo que vai mudar. Tem de mudar.”

Ricardo é uma pessoa decidida e que encontra no falhanço uma razão para melhorar e um método de crescimento. Repetiu com entusiasmo ao longo da nossa conversa que a vida é só uma e passa rápido e que, por isso, a devemos levar com integridade e diferença, lutando para deixar uma marca, mesmo através do falhanço.

“Qual é o nome do seu tetra avô? Nunca ninguém me responde a esta. Claro que não! Ninguém sabe. Estamos aqui de passagem e ou assumimos que vamos lutar para um bem comum, escrever uma história e fazer por isso, ou vamos continuar a atrasar o progresso, com medo de errar e fazer imposições em nome próprio. Esse é o futuro que me assusta e no qual as empresas terão uma ‘overdose’ de recursos com o qual não saberão lidar e no qual os lay offs em massa serão cada vez mais recorrentes. Por isso, sim. As culturas das empresas têm que mudar, tem de haver a procura do risco, da atitude e da união para um bem coletivo e não para bem das quintas do lado.”

No caso da uppOut, uma empresa que já foi desafiada a contar a sua história em formato autobiográfico ou documental, que se encontra já em processo de internacionalização e que só acredita da diferença, nada funciona assim.

“Não queremos estar no mesmo posicionamento de outras agências ou empresas e isso, obviamente, é muito mais duro porque temos de arriscar e partir atrás do desconhecido, todos os dias. Mas é assim que tem de ser. O mundo está a mudar a uma velocidade completamente medonha e se não arriscarmos vamos ser ultrapassados. Mas não é arriscar com o objetivo final de aparecer com uma foto no LinkedIn ou Facebook a dizer que eu fizemos isto. É arriscarmos em prol de algo que é superior a nós e ao nosso sucesso, que seja partilhado pelo valor identitário ou emocional que trouxemos a algo. E, sendo esse o critério, acho que estamos num bom caminho. Ainda somos ‘pequeninos’ mas já fizemos algumas das campanhas mais virais de diferentes eventos e fomos perseguidos e processados pelos ‘tubarões’ – claro que ganhámos, e hoje são nossos clientes… Mas foi o risco que nos levou até ali e nos fez crescer. ”

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Ricardo termina a conversa com uma perspetiva mais pessoal e comparativa, mas que culmina na mensagem central de que as pessoas se devem focar “no que realmente importa”, e que essa é uma das qualidades que o define e o fez crescer na carreira. “Costumo dizer que não sou mais esperto ou talentoso que ninguém. Mas sou focado em crescer e ajudar os outros a crescer ao meu lado. E isso passa por arriscar. E, bem como eu, de inércia e medo em relação à mudança e ao risco, está o mundo farto.”

Sob pena de terminar sem libertar tudo o que lhe ia na mente que parece correr a 300 km/h constantemente, Ricardo Paiágua apressou-se a dizer que

“Tudo o que aqui referi são sintomas de algo maior e cada vez mais prevalente na sociedade – o egocentrismo. Mas acredito que isso pode mudar. Sou otimista por natureza e se tivesse de escolher uma frase para determinar toda a minha perspetiva empresarial e de liderança usava a de um grande investidor que me acompanha ‘Já não invisto em ideias nem em empresas. Invisto em pessoas’. São as pessoas que fazem a diferença e decidem o rumo e sucesso da empresa, do país e do mundo. Só assim crescemos. Todos.”

Um Abraço,
Ricardo

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