Já não vais ser uma “pessoa”​ quando for velho? Vais gostar que lhe chamem de idoso ou velho?

Em Portugal há 153 idosos para cada 100 jovens.
O retrato estatístico da Pordata.
E o que é que fazemos em relação a isso?
Pouquíssimo.

Naturalmente, e tanto quanto esperamos, chegaremos todos a “idosos”. E, a minha primeira sugestão é já esta: a proibição universal do termo “idoso”. Carrega uma conotação pesada e negativa, pinta uma imagem dura, de alguém sofrido e incapaz em muitas dimensões.

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E sendo ou não verdade, é um termo desnecessário quando podemos usar expressões como “Experiente.” Hei de ter netos e bisnetos à mesa e nenhum deles vai saber sequer o significado da palavra.

Desabafos de um autoproclamado “eterno jovem” à parte, é cada vez mais comum ter clientes a pedirem ajuda para “conseguir falar com os jovens. A carteira de clientes está envelhecida e o futuro assusta-nos.”

É natural. Mas e os que estamos a fazer para falar com estes “jovens da velha guarda?”

São estes homens e mulheres “experientes” que tomam conta dos netos. São eles que utilizam a maior parte destes produtos que não conseguem seduzir o público mais jovem. Afinal, que criança é que se preocupa com um seguro de saúde, com a marca do grão usado na sopa ou se o detergente é ultra-desengordurante?

Estes avós, podem ser os maiores e mais impactantes embaixadores do seu serviço ou produto junto dos seus netos – o target jovem que tanto procura. É nos momentos mais íntimos e naturalmente pedagógicos, que os avós podem deixar uma marca associada. São estas memórias eternas que as crianças levam com elas – e se levarem um detergente de roupa ou loiça associados à avó, produtos concorrentes têm menos chances de ganhar um cliente para o futuro.

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Comercialismos à parte. Pode e deve haver uma missão mais humanizadora na senda de aproveitar melhor o tempo e isolamento das pessoas. Se há coisa que os idosos (lá vou eu ter de usar este termo uma última vez) reflectem, é o nosso próprio futuro. A visão solitária e retrato de peso para a sociedade que tendemos a colocar sobre estas “relíquias humanas”, é injusta e tem de ser alterada.

Missões e campanhas de carácter solidário podem fazer toda a diferença na vida das pessoas que mais sofrem com a verdadeira solidão e, não tão importante mas bastante valioso, podem fazer a diferença no branding da sua empresa.

We can help. Everyone.
“Everything should be made as simple as possible, but no simpler.” Albert Einstein

Estamos aqui para abraçar todos os desafios (e pessoas também, caso seja esse o desafio).

Tudo é possível.

Um abraço,
Ricardo Paiágua

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